À guisa de um prefácio

Hallo!
Desde os primórdios de sua História, o ser humano olha para o céu e se sente fascinado por ele, deslumbrado diante da imensidão do universo. Também desde que adquiriu consciência e se tornou capaz de formular pensamentos, ele tenta compreender a si mesmo e o mundo em que vive. Uma das maneiras de buscar essa compreensão sempre foi a observação dos astros.
Grandes civilizações da Antiguidade olharam para o céu e o estudaram. Mesopotâmicos, egípcios e gregos, por exemplo, contaram com grandes astrônomos – assim como grandes astrólogos. Também civilizações pré-colombianas, como os maias, estudaram Astronomia e Astrologia.
A melhor definição de Astrologia que já vi foi a do livreto O Domínio da Vida, publicação de apresentação da Ordem Rosacruz, AMORC aos não-membros. Dizia que ela não é nem uma ciência (como pretendem alguns astrólogos), nem uma pseudo-ciência (como preferem os cientistas e céticos em geral), mas uma arte. Diferente da Astronomia, que simplesmente estuda os astros, a Astrologia olha para eles e estuda o ser humano, porque aquilo que está em cima é como aquilo que está embaixo e aquilo que está embaixo é como aquilo que está em cima.
Sendo uma arte, a Astrologia não se submete a método científico. Pelo contrário, é por excelência um campo de subjetividade. Sendo uma arte, também não pode ser provada, nem em laboratório nem empiricamente, do mesmo modo que não se poderia provar a Renascença ou o Dadaísmo. Sendo uma arte, sua interpretação é impregnada pelas experiências pessoais de cada um, que são a única coisa capaz de aferir sua validade ou não, ou seja, duas pessoas jamais terão a mesma visão da mesma obra ou mesmo mapa.
Sendo uma arte, a Astrologia fala por meio de metáforas e figuras de linguagem em geral, repletas de subjetivismo (incompatíveis, portanto, com o discurso científico). Desse modo, quando se fala em planetas e constelações não se deve levar tal discurso ao pé da letra (ou teríamos pessoas nascidas sob o signo de Ofiúco, por exemplo). Aliás, os próprios nomes dos planetas do nosso Sistema Solar é que vêm da associação com deuses romanos, através da Astrologia – e os próprios deuses são também metáforas de características do ser humano, de aspectos de sua personalidade.
(Em tempo: Astrologia pode até ser chamada ciência, desde que se entenda esse termo simplesmente como sinônimo de conhecimento, ou conjunto de conhecimentos. Não é, sob hipótese alguma, uma ciência ortodoxa).
Portanto, quando se fala que Marte está em Aquário, quer-se dizer que o guerreiro interior de uma pessoa é influenciado por determinadas características, representadas pelo signo de Aquário. Do mesmo modo, quando se fala de Saturno em Touro, isso significa que os obstáculos que alguém impõe a si mesmo são regidos por um outro tipo de características, representadas pelo signo de Touro.
As associações desses aspectos da personalidade humana com os planetas do Sistema Solar foram todas cuidadosamente preparadas, ao longo de séculos e séculos de observação. É aqui que entra a ciência, como subsídio à Astrologia, com o estudo da dinâmica celeste. Através da lei hermética da sincronicidade, o movimento de cada planeta reflete com exatidão as mudanças que ocorrem dentro do ser humano, e sabendo exatamente onde está cada um deles é possível ter uma boa idéia daquilo por que cada pessoa está passando. Apenas uma boa idéia, fique claro, pois que falamos do bicho complicado que é o ser humano.
As associações entre os signos e as constelações do Zodíaco, por outro lado, têm um quê de arbitrariedade. Maior prova disso é um dos argumentos preferidos daqueles que procuram desacreditar a Astrologia, tachando-a de pseudo-ciência: são doze os signos, e treze as constelações do Zodíaco. Do mesmo modo, cada constelação tem um tamanho diferente, ao passo que num mapa astral cada signo corresponde a exatos 30º da circunferência.
As constelações servem de metáfora a energias existentes no próprio planeta Terra. São quatro elementos constituintes do ser humano (Fogo, Água, Ar e Terra, que correspondem, respectivamente, ao espírito, à emoção, à razão e ao corpo físico), vezes três “ritmos” (Cardinal, Fixo e Mutável). Doze os signos, portanto, independente de quantas sejam as constelações do Equador celeste.
Mais adiante, explicaremos melhor tudo isso. Isto é apenas uma introdução bem chinfrim.
Há ainda uma outra coisa a ser esclarecida desde cedo a respeito de Astrologia. Primeiro que a influência exercida por ela não é, de maneira alguma, determinante (e por esse mesmo motivo, Astrologia não se presta à divinação). É apenas uma predisposição, isto é, quer dizer apenas que determinado período será mais ou menos favorável a determinada coisa. É perfeitamente possível encontrar o amor da sua vida num período que seja mais favorável ao isolamento, por exemplo, assim como é possível passar por um grande fracasso profissional num período extremamente favorável ao crescimento na carreira.
São apenas tendências, que, se de alguma maneira servem a “prever o futuro” é porque os seres humanos são muito pateticamente previsíveis. Apontam-se caminhos, probabilidades, possíveis rotas a serem seguidas, mas nada é definitivo – afinal, só quem manda na sua vida é você. E, convenhamos… a vida seria terrivelmente chata se pudéssemos saber de tudo que acontece. A Astrologia é um trabalho de auto-conhecimento, uma filosofia de vida, antes de ser um processo divinatório. É um meio de alcançar serenidade em meio ao caos da existência cotidiana, através do estudo dos potenciais de cada um. O planejamento (prognóstico) que ela pode oferecer, por exemplo, baseia-se na otimização do uso dos talentos e capacidades latentes do ser humano, não em fatores externos à própria psique.
Outra coisa é que a influência astrológica não é boa nem má, mas apenas mais ou menos favorável a uma coisa ou outra. O ser humano é que a torna boa ou má. Nesse ponto, não consigo não pensar em meu signo solar, Escorpião, talvez um dos mais injustiçados dos doze. Já vi pessoas ficarem horrorizadas ao descobrir que tinham Vênus em Escorpião, acreditando que isso era mau para seus relacionamentos, e que essa era a razão por que estavam encalhadas. Nada mais absurdo.
Um bloqueio do elemento Ar, por exemplo, é desfavorável ao pensamento lógico-racional e à comunicação, mas isso não é bom nem mau. Eticamente falando, é simplesmente neutro, e a pessoa com bloqueio do Ar é que o torna bom ou mau para si mesma.
A Astrologia é apenas um instrumento para conhecer a si próprio. Não é cabível, portanto, a questão da crença: os planetas e estrelas (tenha sempre em mente: metáforas!) estão aí, exercendo sua influência, sem se importar se acreditamos neles ou não. Num tom de brincadeira, poderíamos dizer que é como a lei da gravidade: podemos até não acreditar nela, mas ninguém costuma sair voando por aí só por conta disso.
Prestados esses esclarecimentos, que acredito serem o essencial para este início, gostaria de deixar apenas um disclaimer.
Também sou completamente iniciante em Astrologia, e nunca a estudei de modo organizado e sistemático. Estarei aprendendo junto com vocês, à medida que faço pesquisas e escrevo cada “lição”. Por isso, peço desde já minhas mais sinceras desculpas por eventuais erros, impropriedades, confusões, contradições, imprecisões e lacunas, bem como por toda espécie de tolices, asneiras e desleixos, além das necedades em geral que eu venha a escrever aqui. Mea culpa, mea maxima culpa.
De resto, cumpre apenas desejar a todos bom proveito em suas jornadas, e que este estudo ajude no crescimento de cada um. E, claro, linkar dois excelentes textos (bem melhores que este aqui, de longe), tanto para quem está começando a mexer com essas coisas – caso deste que vos escreve – quanto para quem já tem alguma experiência nessa área: Analisando um mapa astral e A astrologia do Nebulosabar.
OiU!